Passárgada Square

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Menina do Farol

Ela vendia balas no farol. Um dia se aproximou do meu carro e ofereceu suas guloseimas. Eu não comprei, por algum motivo qualquer, do qual não me lembro. Mesmo assim, ela permaneceu ali, na minha janela, falando sobre os preços dos portas-jóias que um rapaz vendia - também - ali no farol. Comentou, sem pressa, que ele havia vendido um porta-joías quebrado para uma moça. Um absurdo!
O farol abriu e eu me despedi dela. Segui meu caminho, contagiada pela sua simpatia e carisma. Ela tinha um sorriso lindo, que combinava com seu rosto branquinho com sardinhas.
Eu passo com freqüência no farol onde ela trabalhava e na próxima vez em que a encontrei, comprei suas balas. Ela me aconselhou carinhosamente sobre qual seria o melhor sabor a escolher.
Teve o dia que ela contou que estudava, que tirava boas notas na escola e onde morava, num bairro da periferia. Eu lhe dei um dinheiro, sem querer balas em troca.
Num outro, eu lhe ofereci uma carteira minha com motivos infantis, já usada. Ela aceitou com brilho nos olhos. Eu tenho certeza de que nunca vi, em toda a minha vida, alguém tão feliz com um presente.
Radiante, ela se afastou pra ver os detalhes da carteira e em seguida veio me devolver um papel que eu havia esquecido dentro.
Naquele dia eu fui chorando até chegar na festa para onde eu estava indo. Talvez eu não chorei apenas por que estava emocionada com a atitude dela, talvez eu chorei o choro que já me estava engasgado, o choro que eu não tive coragem de chorar no momento certo.
Em uma noite de frio a avistei de longe, saltitante, com seus cabelos loiros, compridos, de cachos soltos balançando no ar. Aproximei o carro, lhe dei um brinquedo e um pacote de bolachas. Ela é naturalmente alegre e, mais uma vez, sua alegria só aumentou com os presentes.
Nunca mais a encontrei. Ela não sabia, mas toda vez que eu a via, sentia uma enorme vergonha das minhas reclamações, das minhas tristezas, das minhas encanações.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Uma semana de saudade do Rio de Janeiro


Pra mim o Rio de Janeiro é assim: dez no quesito alegria. É olhar pra cima, em diversos pontos da cidade e poder avistar o Cristo, abençoando aquele momento; qualquer que seja. São as estreitas ruas de Santa Teresa, que me fazem querer ter estado ali desde sempre. O aconchego familiar, com um quê quase interiorano, do Leblon. É o queijo coalho, o “aaabacaxi”, a canga, o sanduíche natural, a bijoux, o óleo bronzeador e tudo que se pode comprar na praia. É dia de céu intensamente azul, sem meia nuvem pra atrapalhar. É de uma sutil tristeza em dias nublados. São as garotas e garotos, que também podem não ser mais tão garotos assim, de Ipanema; despretensiosamente chiques. Compras na Visconde de Pirajá, sorvete de sábado a tarde no Mil Frutas. É a paz do Jardim Botânico, com suas árvores todas alinhadas. É cenário pra novela da vida. Bateria de escola de samba que arrepia até a alma. É a luz do sil refletida na água da Lagoa. Barcos à vela deslizando sobre a Baia da Guanabara, brindando um domingo feliz. É andar de madrugada na Vieira Souto e fazer das luzes do Vidigal o seu farol. É poder ir de chinelo Havaiana a quase todos os lugares. Passeio no calçadão, com parada pra beber água de coco pra conversar com o conhecido. É o desconhecido que puxa papo no meio da rua e te faz sentir acompanhado, mesmo quando sozinho. É o pôr-do-sol e suas matizes de cores intensas merecidamente aplaudido em Ipanema. O charme decadente de Copacabana. É o Leme, é o Pontal, é nada igual. São os alvos arcos da Lapa emoldurando uma noite de sexta-feira e a diversidade tão harmônica das pessoas que ali estão. É sentir-se no século passado na Confeitaria Colombo do centro, comendo um docinho à tarde. É andar de carro entre Botafogo e Flamengo e ir olhando sempre para o lado direito para admirar a paisagem. É sentar de mãos dadas com o namorado no Arpoador pra assistir ao pôr-do-sol. E se não tiver namorado, é sentar, lá mesmo, de mãos dadas com a vida para namorá-la. É a Gloria em meu coração.

***Rio, obrigada por absolutamente tudo! Daqui a pouco, eu tô de volta.

domingo, outubro 22, 2006

Ghost Story


I watch the western sky
The sun is sinking
The geese are flying south
It sets me thinking
I did not miss you much
I did not suffer
What did not kill me
Just made me tougher
I feel the winter come
His icy sinews
Now in the firelight
The case continues
Another night in court
The same old trial
The same old questions asked
The same denial
The shadows closing round
Like jury members
I look for answers in
The fire's embers
Why was I missing then
That whole December?
I give my usual line,
I don't remember
Another winter comes
His icy fingers creep
Into these bones of mine
These memories never sleep
And all these differences
A cloak I borrow We kept our distances
Why should it follow that I must have loved you?
What is a force that binds the stars?
I wore this mask to hide my scars
What is the power that moves the tide?
Never could find a place to hide
What moves the earth around the sun?
What could I do but run and run and run?
Afraid to love, afraid to fail
A mast without a sail
The moon's a fingernail
And slowly sinking
Another day begins
And now I'm thinking
That this is indifference
Was my invention
When everything
I did Sought your attention
You were my compass star
You were my measure
You were a pirate's map
Of buried treasure
If this was all correct
The last thing I'd expect
The prosecution rests
It's time that I confessed
I must have loved you
I must have loved you

quarta-feira, outubro 04, 2006

"A vida tem um senso de humor doentio."

domingo, outubro 01, 2006

"Simpres" assim...


Dia desses, no começo da noite, fui caminhar no calçadão. A
certa altura, comecei a andar pela praia mesmo e depois parei em frente ao mar.
Olhei o mar negro, que contrastava com as ondas brancas, adornados por um irretocável quarto de lua.
Foi quando me dei conta de que aquele era um momento plenamente feliz.
Eu estava lá, sozinha, de tênis velho, uma calça fusô de propaganda de cliente, que me faz sentir uma gorda roliça, regata eda "Zépa" e birote nos cabelos.
Eu não estava na boate caréééésima da moda, rodeada de gente "descolada", a minha calça não era Diesel e minha blusa não era da Daslu. Eu não estava a bordo de um iate, não estava hospedada em uma mansão cinematográfica, com empregados que não me permitiam mover uma palha, cheia de Rolls Royces alike na garagem.
Só tinha a praia, a lua, o Vidigal ao meu lado direito, um grupo jogando futebol à esquerda e um côco verde jogado na minha frente.
Absolutamente nada contra os prazeres que o dinheiro pode proporcionar, mas, infeliz de quem precisa deles pra achar que é feliz.
É...os momentos felizes são "simpres, simpres"...