Passárgada Square

sábado, dezembro 23, 2006

Não me leve a mal, hoje é Natal



Papai Noel tem esquecido do meu presente há séculos, mesmo assim, eu ainda insisto em ser uma boa menina e me comporto durante todo o ano. O transito fica insuportável em dezembro, os shoppings ficam insuportáveis, assim como os bares e restaurantes; sempre dominados pelas festas de fim de ano da firrrma.
Desde que resolvi ser uma profissional independente, não ganho mais décimo terceiro salário, mas as despesas de fim de ano prosseguem aumentando. Presentinhos para os amigos secretos, presentinhos por obrigações comerciais, presentinhos dados com o coração e com a alma, confraternizações, viagem de reveillon, festa de reveillon, a roupa e todos os adereços para a grande noite de reveillon.
A ceia de Natal da minha casa não lembra, nem de longe, essas que vemos em propagandas de peru de Natal. Eu coleciono algumas lembranças ruins relacionadas ao dia de Natal e neste mesmo dia fico sensível e chorosa. Neste mesmíssimo dia, o espírito natalino, que até habita timidamente este corpo ao longo do último mês do ano, termina por escafeder-se. E ao fim dele eu agradeço aos céus por que só terei de passar por ele daqui a exatamente um ano. Dá até uma pontinha de alegria pensar que um ano demora um pouco pra passar.
Como diz a querida Danielinha: “É por causa do Natal que eu me converti ao judaísmo.”. No Natal aos ausentes tornam-se mais presentes.
Ho ho ho! Feliz Natal!

quarta-feira, dezembro 13, 2006


"Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons"

Aeroporto



Sempre gostei de aeroporto. Desde bem criança eu adorava quando minha família resolvia que o programa dominical seria tomar café da manhã no aeroporto internacional de Guarulhos.
Eu achava chique e o café da manhã era diferente do de casa. Depois comprávamos balas de maçã verde, que não eram encontradas em qualquer lugar; só naquela loja de guloseimas do aeroporto.
Também curtia ficar vendo o movimento de gente que partia e chegava. Todos, em sua maioria, bem vestidos – naquela época as pessoas ainda se produziam pra viajar de avião.
Infelizmente, depois que vieram a GOL, a BRA e outras “linhas aéreas inteligentes”, a verdade é que os aeroportos andam com mais jeito de rodoviária do que propriamente aeroporto. O glamour desapareceu e reinam farofeiros, grupos da CVC e famílias com crianças mal educadas, periquito, papagaio e cachorro.
Eu mesma devo confessar que raramente viajo bem vestida e acabo optando pelo conforto. É, eu aderi à abolição do visual chiquetoso pra viajar de avião...e também aderi à GOL e à BRA, que vendem passagens aéreas a preços de passagens de ônibus.
As passagens de avião têm preços de passagens rodoviárias, então faz algum sentido que os aeroportos estejam cada vez mais semelhantes às rodoviárias. Mas como eu sou chatinha, quero preço barato para a viagem e luxo no aeroporto, deve ser porque acho mais romântico.
Outra coisa que eu fazia no aeroporto, quando era criança, era ficar observando as pessoas, tentando imaginar pra onde iam, de onde vinham, o que fariam em seu destino final. E não é que vinte anos depois, há pouco tempo, eu estava na sala de embarque e reparei que continuo fazendo a mesma coisa.
Burburinho de aeroporto é fascinante. É como se ali fosse a porta de entrada para o mundo, para a enorme quantidade de destinos, culturas e pessoas que podemos conhecer. Novos amigos, novas fotos, novos amores, novas emoções. Aeroporto significa liberdade, o caminho pra um mundo novo, pro desconhecido, frenesi de férias, ansiedade de começo de viagem, friozinho na barriga de pensar no que virá pela frente.

terça-feira, dezembro 12, 2006


"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?"

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Esta noite, como em todas as noites


Esta noite ela vai vestir seu vestido branco mais bonito. Vai ajeitar os cabelos e prender uma flor, vai passar batom avermelhado.
Esta noite ela vai até a praia, caminhar e ver a lua cheia. Vai sentar na areia e lembrar de todos os momentos bons que ali viveu.
Vai lembrar de quando passeava de mãos dadas com ele na beira do mar, quando ele a abraçava e a chamava pra perto. De quando se deitavam a areia e se tinham. E depois, fitavam a lua em silêncio.
Ela vai lembrar do quanto aquele silêncio era bom, o silêncio que tanto lhe dizia. Era o silêncio que jurava cumplicidade e falava de amor.
Depois ela vai voltar pra casa e lembrar de todos os dias que esperava ele chegar em casa. De quando ele abria a porta e ela corria em sua direção, festejando sua chegada, sorrindo com a boca e com os olhos. Ela sorria inteira.
Ela vai sentar no sofá, com seu vestido branco mais bonito, com sua flor no cabelo, com seu batom avermelhado e, como em todas as noites desde que ele foi embora, vai esperá-lo voltar.