Não me leve a mal, hoje é Natal

Papai Noel tem esquecido do meu presente há séculos, mesmo assim, eu ainda insisto em ser uma boa menina e me comporto durante todo o ano. O transito fica insuportável em dezembro, os shoppings ficam insuportáveis, assim como os bares e restaurantes; sempre dominados pelas festas de fim de ano da firrrma.
Desde que resolvi ser uma profissional independente, não ganho mais décimo terceiro salário, mas as despesas de fim de ano prosseguem aumentando. Presentinhos para os amigos secretos, presentinhos por obrigações comerciais, presentinhos dados com o coração e com a alma, confraternizações, viagem de reveillon, festa de reveillon, a roupa e todos os adereços para a grande noite de reveillon.
A ceia de Natal da minha casa não lembra, nem de longe, essas que vemos em propagandas de peru de Natal. Eu coleciono algumas lembranças ruins relacionadas ao dia de Natal e neste mesmo dia fico sensível e chorosa. Neste mesmíssimo dia, o espírito natalino, que até habita timidamente este corpo ao longo do último mês do ano, termina por escafeder-se. E ao fim dele eu agradeço aos céus por que só terei de passar por ele daqui a exatamente um ano. Dá até uma pontinha de alegria pensar que um ano demora um pouco pra passar.
Como diz a querida Danielinha: “É por causa do Natal que eu me converti ao judaísmo.”. No Natal aos ausentes tornam-se mais presentes.
Ho ho ho! Feliz Natal!




