Passárgada Square

quarta-feira, março 21, 2007

A última declaração?



É, todas as vezes que eu lembro da minha adolescência, eu lembro de você. Nos encontros com as amigas do colégio, é mais do que certo eu lembrar de você.
Nas seções flashback que organizamos, sempre desenterramos as paixões do passado. As meninas perdem as contas de quantas vezes se apaixonaram ao longo daquele caminho louco que chamam de adolescência. Eu bem lembro que paixão de verdade foi só uma, por você.
Isso não significa, de maneira alguma, que eu tenha menos ou inferiores lembranças. Significa apenas que todas envolvem você.
Eu te agradeço imensamente. E por que eu haveria de agradecer-te? Porque foi com você que eu aprendi o que é amar.
Não vá confundir a minha fala e sair achando por aí que foi você quem me ensinou o que era o amor, de forma didática. Desse assunto certamente você não entendia, você era apenas um garoto prepotente de 16 anos de idade.
Refiro-me ao fato de que foi através da sua existência em minha vida que pude ter o primeiro contato com o amor. Conhecendo-te, obriguei-me a aprender na prática e na marra o que era o o até então desconhecido sentimento. Pra mim, é inimaginável que o meu primeiro amor não fosse por você.
Foram anos a procura do envelope mais lindo, do cartão mais gracioso e romantico de toda a papelaria. Anos aguardando a chegada do fim de semana, aguardando o telefone tocar. E se ele tocasse e fosse você do outro lado, eu ia direto para o céu, sem escala.
Foram tantas conversas, tantas madrugadas insones lembrando de cada ponto e vírgula de nossas conversas. Foram tantos ensaios do que dizer, tentativas de encontrar as palavras perfeitas, e era só ouvir sua voz que eu perdia a fala e abandonava o roteiro.
Tantas mentiras, tantas declarações rasgadas. Naquele tempo parecia tão fácil rasgar-se...
Também foram muitos os choros, os desencontros, pensamentos de que tudo dera-se por acabado, quando na próxima semana estava tudo recomeçando mais uma vez.
Foi, disparado, o melhor e mais lindo beijo até hoje.
As amigas, tão ingênuas quanto eu, diziam que a gente ia acabar se casando. Eu acreditava, e acreditada também que nunca iria deixar de te amar.
Achava que até poderia conhecer outro homem, casar com ele, ter filhos; mas se um dia eu te encontrasse ao acaso no shopping, mesmo que acompanhada de meu marido e prole, ficaria mexida ao te ver, desconcertada, de coração da boca.
Você praguejava que se eu não vivesse contigo, não seria feliz com mais ninguém.
O curioso é que eu lembro de cada detalhe da nossa história, e não foram poucos meses, nem poucos anos. Mas eu esqueci completamente de como foi que eu te esqueci. Não sei se foi porque cansei dos mesmos erros, se me apaixonei por outro ou se foi porque me dei conta aquilo não era o conto de fadas que eu idealizava. Deve ser porque ter te esquecido não foi a parte mais importante da história.
O melhor é observar que lembro de você com muita serenidade, lembrar de nós dois juntos não me causa dor alguma ou desconforto. Nosso caso realmente acabou. Nele não ficou nenhum "e se", nenhum ponto mal resolvido. Por nós eu sei que fiz tudo. Pode não ter sido da melhor maneira, mas foi feito.
A maior prova disso é que, apesar de toda a sua importancia, depois que tudo acabou eu não procurei você em mais nenhum outro cara que conheci. Eu não nas pessoas e lugares errados o que vivi com você. Não existiram tentativas frustradas de resgatar o que aconteceu e pertence exclusivamente a um agridoce passado.
Meu amor por você era impregnado da ingenuidade, da burrice e do cor-de-rosa da adolescência, disto tenho certeza. Já esta mesma certeza eu não tenho, de que depois de adulta, amei verdadeiramente alguém...