Passárgada Square

sábado, junho 09, 2007

Tempos depois...


A distância temporal entre olhares foi demasiada. Mas não foi suficiente para esquecer dos seus olhos azuis, do seu sorriso sedutor, do inclinar de cabeça enquanto as palavras lhe saíam sempre com perfeição. Lembrava-se também de como lhe tocara, de como a amara. Sem limites,uma verdadeira paixão.
Encontraram-se casualmente, em frente ao restaurante que ambos frenquentaram tantas vezes, num bairro por onde caminharam lado a lado. Coincidência? Não. Ela bem o sabia. Olharam-se, sorriram e aproximaram-se, não sem antes confirmarem se havia outro alguém por perto.
Um abraço terno recordou-lhe outros tempos. O sorriso do homem abriu-se e entraram no restaurante, que estava vazio. Ele sabia que ela o tinha amado muito. Também sabia que ela não lhe guardava rancor pela traição. Sua alma era nobre demas para se ater a sentimentos miúdos e negativos. Olhava-o com admiração pelo brilhante percurso profissional, pela postura, pelo encanto. Era essa a memória que guardava dele. Por isso estavam sentados, os dois, naquele mesmo restaurante . Por isso tremeu quando ele lhe agarrou a mão e lhe disse que não havia outra como ela. Ficou a promessa de uma visita. Na casa dela.