O que eu não sabia dizer
Eu queria tanto que ele chegasse de mansinho, quando eu estivesse distraída, porque todas as vezes em que eu me apaixonei foi assim: quando eu menos esperava. E sempre que quis me apaixonar, intencionalmente, não rolou. Deve estar relacionado com aquilo que dizem por aí sobre a nossa falta autoridade com os assuntos designados como os do coração.
Ele também poderia chegar pouco a pouco, sem fazer alarde. Caso contrário, se vier com tudo, dá tilte e eu saio correndo, feito a Julia Roberts, naquele filme água com açúcar "Noiva em Fuga". Porque eu tenho um medo danado de amar. De amar e não ser correspondida e de amar com reciprocidade. Quando isso acontece, em algum momento, eu páro e penso "o que eu vou fazer com esse amor todo?".
O paradoxo mora aí: vivo correndo atrás do amor e correndo dele. Assim como em uma brincadeira de pega-pega, em que às vezes sou eu quem pega, e noutras, quem foge correndo, espavarida.
Enquanto não encontro meu papel nessa brincadeira, sigo querendo que ele venha me contar sobre sua família, seu trabalho e amigos, sobre viagens, músicas, livros, infancia e referências. Que saiba encontrar o equilíbrio entre o homem-problema e o garoto do mundo da fantasia. É um saco homem frágil, sempre precisando de ser assistido, que vive criando problemas, a eterna vítima do mundo e, em contapartida; é difícil aturar aquele cara superbem-sucedido, que só sabe falar de points descolados de New York, sua última viagem ao Leste Europeu, da promoção no trabalho e da irmã felicíssima com a loja de acessórios em prata que abriu nos Jardins. Pra que essa pessoa precisaria e desfrutaria da minha companhia?
Que venha disposto a construir comigo uma história particular de conquistas. Cheio de coragem pra doar pedaços de si e receber pedaços meus. Frações de nós que ficarão nos diálogos, olhares, na cumplicidade que muitas vezes o silêncio carrega, na mão pousada sobre a mão do outro, no atrito dos corpos. Nos risos, sorrisos, nos lugares visitados.
Adoraria que ele aparecesse num dia qualquer, na saída do trabalho, com um buquê de rosas champanhe, pois, até então, ele não saberia que as minhas preferidas são as vermelhas. Ou me ligasse no fim da noite pra saber como foi o meu dia. Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto saber que existe alguém que realmente se importa com você.
Seria bom se ele não viesse sublinhando as limitações que duas pessoas terão de enfrentar para construir uma relacionamento sólido e saudável e sim, das inúmeras possibilidades que nos cercam quando existe vontade. Alguém pra me proteger, quando necessário, e me fazer sentir à vontade pra confessar as minhas fragilidades, pra eu saber pedir ajuda. Disposto a fazer concessões e frear a minha locomotiva.
E, se um dia, algo der errado, saiba terminar enquanto houver dignidade na relação, já que costuma ser desastroso tentar prolongar um ralacionamento morto. Tudo desce a um patamar tão baixo, onde até o saldo positivo, que deveria ficar guardado e ser lembrado, é extinto.
Acho que é isso tudi que eu queria tanto e sempre tive certa dificuldade em expressar. Só faltou eu dizer que seria adequado ele chegar quando eu estivesse pronta pra recebê-lo.
Ele também poderia chegar pouco a pouco, sem fazer alarde. Caso contrário, se vier com tudo, dá tilte e eu saio correndo, feito a Julia Roberts, naquele filme água com açúcar "Noiva em Fuga". Porque eu tenho um medo danado de amar. De amar e não ser correspondida e de amar com reciprocidade. Quando isso acontece, em algum momento, eu páro e penso "o que eu vou fazer com esse amor todo?".
O paradoxo mora aí: vivo correndo atrás do amor e correndo dele. Assim como em uma brincadeira de pega-pega, em que às vezes sou eu quem pega, e noutras, quem foge correndo, espavarida.
Enquanto não encontro meu papel nessa brincadeira, sigo querendo que ele venha me contar sobre sua família, seu trabalho e amigos, sobre viagens, músicas, livros, infancia e referências. Que saiba encontrar o equilíbrio entre o homem-problema e o garoto do mundo da fantasia. É um saco homem frágil, sempre precisando de ser assistido, que vive criando problemas, a eterna vítima do mundo e, em contapartida; é difícil aturar aquele cara superbem-sucedido, que só sabe falar de points descolados de New York, sua última viagem ao Leste Europeu, da promoção no trabalho e da irmã felicíssima com a loja de acessórios em prata que abriu nos Jardins. Pra que essa pessoa precisaria e desfrutaria da minha companhia?
Que venha disposto a construir comigo uma história particular de conquistas. Cheio de coragem pra doar pedaços de si e receber pedaços meus. Frações de nós que ficarão nos diálogos, olhares, na cumplicidade que muitas vezes o silêncio carrega, na mão pousada sobre a mão do outro, no atrito dos corpos. Nos risos, sorrisos, nos lugares visitados.
Adoraria que ele aparecesse num dia qualquer, na saída do trabalho, com um buquê de rosas champanhe, pois, até então, ele não saberia que as minhas preferidas são as vermelhas. Ou me ligasse no fim da noite pra saber como foi o meu dia. Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto saber que existe alguém que realmente se importa com você.
Seria bom se ele não viesse sublinhando as limitações que duas pessoas terão de enfrentar para construir uma relacionamento sólido e saudável e sim, das inúmeras possibilidades que nos cercam quando existe vontade. Alguém pra me proteger, quando necessário, e me fazer sentir à vontade pra confessar as minhas fragilidades, pra eu saber pedir ajuda. Disposto a fazer concessões e frear a minha locomotiva.
E, se um dia, algo der errado, saiba terminar enquanto houver dignidade na relação, já que costuma ser desastroso tentar prolongar um ralacionamento morto. Tudo desce a um patamar tão baixo, onde até o saldo positivo, que deveria ficar guardado e ser lembrado, é extinto.
Acho que é isso tudi que eu queria tanto e sempre tive certa dificuldade em expressar. Só faltou eu dizer que seria adequado ele chegar quando eu estivesse pronta pra recebê-lo.


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