Passárgada Square

domingo, junho 03, 2007

Por hoje não


Não, não e não. Hoje eu não vou atender cliente para explicar que a matéria sobre ele, que sairia ontem, caiu porque entrou anúncio no lugar dela.
Não vou mandar para o jornalista uma foto em alta resolução, no prazo máximo de dez minutos, pelo simples fato de que no meu escritório não existe uma plantação mágica de fotos em alta, onde as tais surgem num passo de mágica, quando cliente muquirana não quer pagar fotógrafo.
Se o Josimar Melo ou o Arnaldo Lorençato ligarem implorando pra jantar comigo, eu não irei. Nem a pau, Juvenal! Porque eu não estou a fim de conversar sobre a redução do molho da massa, os taninos do vinho e, muito menos, sobre os restaurantes que abriram ou fecharam e quem tá fazendo assessoria de imprensa pra onde.
Que também não venha nenhum outro cliente me dizer que não vai poder receber a jornalista do Valor Econônico porque surgiu um problema gravíssimo de impreterível solução. Principalmente, depois de eu ficar por um mês e meio pentelhando a mulher pra convencê-la a entrevistá-lo
Sir Saul Galvão vai ligar me zoando? Eu vou gozar ainda mais da cara dele, assim como crianças fazem campeonatos de respostas mal educadas, com direito a uma galera gritando atrás e atiçando "yyyyeeeeaaaahhhh!!!"
O seres que trabalham em publicações de circulação ínfima que me mandarem e-mail solicitando 12 receitas de massas não as terão. E serei bem sincera ao responder que o trabalho de angariar as 12 receitas não compensa. Nem em retorno para o cliente, seja ele financeiro ou institucional e nem no meu prestígio com o freguês.
Alguém vai ter a brilhante idéia de fazer um press tour. Que maravilha! Um fim de semana em contato direto com a imprensa, uma grande oportunidade de estreitar os laços com ela. Passeio guiado nas instalações da fábrica, mostrando a produção, jantar com o presidente, almoço com o diretor, brindes em cima da cama do quarto do hotel. Muitas matérias garantidas, não é? Sim, mas já vou avisando que as pessoas, nesse tipo de viagem, costumam ter um comportamento muito parecido com os que tínhamos aos 15 anos; quando participávamos de excursões pra Disney. Também aviso que não tenho vocação pra Tia Augusta de marmanjo.
Hoje decidí que vou brincar de sorteio com os clippings.
Pouco me importa se vão achar meus relases bons, medianos, excelentes ou péssimos. Na grande maioria deles, com algumas excessões, em algum trecho são ditas mentiras.
Aos produtores de moda direi que não adianta elogiar as peças que emprestei para produção, pois não vou dar. Por acaso produtores de moda são seres humanos pertencentes à uma classe especial que ganham tudo o que me esforço pra comprar? E se perder alguma peça no meio daquele acervo todo bagunçado, eu vou cobrar o valor dela. Nada mais justo, simples assim. Até porque, depois quem fica na saia justa com o dono da loja soy yo, inventando desculpetas esfarraparas para justificar o sumiço daquele brinco em prata, cravejado de zircônias.
Se falar que quer votos na edição do Comer & Beber da Vejinha, mando arrematar o grupo Fasano, o Rubayat ou a a Bráz Pizzaria. Assim, fica grarantido.
Vetarei todos aqueles que vão à eventos com frequencia, só pela boca livre.
Serei grosseira com os jornalistas que são simpáticos comigo quando ligam pediando algum favor ou informação que necessitam e me atendem mal em outras situações.
Follow-up eu não vou fazer, sou assessora de imprensa, não sou atendente de tele-marketing. Follow e os diálogos boçais sempre inerenteas à tarefa desrespeitam a dignidade de qualquer trabalhador:
- Oi, Luciana! Tudo bem? Aqui quem fala é a Simone, assessora do restaurante Rancho da Vovó, tudo bem?
- Tudo.
- Eu te mandei o release do festival de sopas do Rancho da Vovó. Tem umas sopas superdiferentes, maravilhosas. De ervilha, palmito, mandioquinha...Você deu uma olhadinha?
- Acho que sim.
- E você acha que consegue dar alguma coisa, pelo menos, inserir no roteiro?
- Vou ver se consigo dar alguma coisa...
- Tá bom, então, Luciana. Se quiser ir lá conhecer o festival também está convidadíssima. Muito obrigada. Um abraço
- Outro. Tchau.
E caso eu tenha que fazer o bendito follow com jornalista com quem tenho amizade ou, pelo menos, uma relação de coleguismo - embora eu odeie a palavra - será impossível merrrrrmo. Nesses casos, a conversa transcrita acima ganha ares mais patéticos ainda e não suporto a idéia de "usar" meus amiguinhos para conseguir publicações. Me constrange. Mas, por outro lado, a conquista destas amizades compensam todas as chaturas que citei neste texto.

*** Eu não odeio minha profissão, muito pelo contrário. Esse foi apenas um retrato mal (ou bem?) humorado dela.