Passárgada Square

domingo, julho 15, 2007

A lição

A Celina foi minha professora de Português no tereceiro colegial. Era uma mulher fina, de gestos classudos, bem vestida e se destacava entre os demais professores, que; em sua maioria, tinham aparência simplória.
Ela nutria uma certa simpatia pela minha pessoa. Devia ser porque naquele ano resolvi sentar na primeira carteira, bem em frente ao canto da classe onde ela costumava dar aula, embora continuasse a aluna faladeira de sempre. E eu era uma boa aluna em Português, adorava as aulas de Redação.
Da minha parte também havia admiração pela Celina e toda a aura de refinamento aliado ao conhecimento que a circundava.
Mas o que realmente me marcou foi a lição que ela ensinou...Era o último dia de aula de Português no terceiro colegial, e talvez, fosse a última aula desta disciplina para muitos ali daquela sala, que seguiriam pelos mundos das ciências exatas e biológicas.
Todos os professores nesta semana faziam seus discursos de despedida. Destacavam o importante papel da escola até ali e nos aconselhavam sobre a vida acadêmica.
A professora Celina também fez o seu, um pouco difernte. Ela disse que naquele ano, em particular, tinha sido um ano muito difícial para ela, pois havia perdido alguém importante.
Falou também, que naquele mesmo ano, o que lhe dava ânimo era saber que iria ao colégio nos encontrar e transmitir algum conhecimento. Em muitas manhãs acordava triste por conta da perda, lembrava de nós e buscava forças para dar aula.
Enquanto ela relatava o triste ocorrrido, eu pensava que a Celina não deixou transparecer em nenhum momento estar abatida ou passando por dificuldades. Mesmo assim, imaginei que alguém de sua família havia morrido. E esta foi a parte mais emocionante de sua fala.
Ela confidenciou que ninguém tinha falecido e começou a dissertar, de modo vago, que algumas vezes nós perdemos pessoas importantes sem que elas morram. Perdemos, pois um punhado de circusntâncias podem afastar pessoas amadas de nós.
Brigas, distância física, distânciamentos sem motivos relevantes. Ou porque a todo tempo nos são apresentados inúmeras possibilidades e, às vezes, conscientemente ou não; escolhemos um rumo incongruente ao das pessoas queridas.
A vida tem a dádiva de colorir nossa existência nos apresentando pessoas especiais, mas também tem a crueldade de afastá-las.
Eu, com meus 17 anos, sabendo um pouco menos da vida em relação ao que sei hoje, me conscientizei, pela primeira vez, sobre a dor da perda e a irrelevância dos nossos desejos, intensões, sentimentos e vontades quando algo nos é arrancado brutalmente.
O Colégio Agostiniano São José me ensinou uma das maiores lições que aprendi. E ela nada tem a ver com as aulas de Genética do bem intencionado professor Claudio ou com o Desenho Geométrico da histérica Dora Alice. A lição foi a de que perdemos pessoas importantes sem que a gente queira. E, às vezes, sem que elas queiram.





"Com as perdas só há um jeito:perde-las. Com os ganhos, o proveito é saborear cada um como uma fruta boa de estação."