Passárgada Square

terça-feira, agosto 14, 2007

I write


Eu escrevo pra ganhar dinheiro. Sou assessora de imprensa e uma das tarefas inerentes à minha profissão, é escrever releases. Neles, às vezes, eu minto, atribuindo qualidades aos meus clientes que eles não têm; para convencer jornalistas a publicarem matérias.
Escrever releases talvez seja uma forma de prostituir minha escrita. E isso não me incomoda, ou incomoda pouco. Assim como uma prostituta, relativamente conformada com a vida fácil, sabe diferenciar o sexo com cliente do sexo com amor, eu sei diferenciar minha escrita comercial daquela que vem da minha alma.
Eu continuo mentindo sem causar graves consequências, ao escrever na minha intimidade, criando ficções das quais eu adoraria ter participado.
Escrevo pra falar, na lata, sem rodeios, algumas verdades que tenho dificuldade em admitir.
Cada vez que escrevo, exerço meu imenso egoísmo. Escrevo pra ter encontro, com dia e hora marcada, comigo e mais ninguém. Escrevo o que EU gostaria de ler. Eu escrevo pra poder falar de mim mesma. Até cansar.
Eu escrevo buscando, ao menos, algum elemento em minha vida sobre o qual eu possa exercer pleno controle. Para ter a liberdade de escolher começo, meio e fim. Eu escrevo pra ver finais felizes.
Também pelo prazer que tenho em falar e opinar sobre quase tudo. Assuntos rasos e de profundidades quase abissais, amenidades e seriedades, o cotidiano banal e as excentricidades. Pra comemorar os ganhos e resmungar as perdas. Eu transito entre limões azedos e brigadeiros de colher, com a certeza de que a jornada não é povoada apenas por uns ou só pelos outros.
Por orgulho. Pra esta tarefa não preciso pedir a ajuda de pessoa alguma.
Eu brinco com as palavras pra gozar da minha cara. E dramatizar os meus problemas.
Escrevo para expressar com mais clareza o que tenho dificuldade em transmitir com palavras faladas. Eu escrevo pela necessidade primária de me comunicar com as outras pessoas.
Com isso eu parei há um certo tempo, provavelmente, por covardia. Eu costumava escrever cartas para declarar meu amor, da maneira mais rasgada possível.
Homens que escrevem bonito me seduzem. Talvez, (in)coscientemente, eu escreva para tentar seduzir alguns homens. Porém, eu bem sei que não são muitos os que se interessam por um belo joguete de palavras. Eles preferem um belo par de pernas.
Pra enganar o tempo. Adoro encontrar algo que escreví há anos e ter a sensação, mesmo que por breves segundos, de reviver aquilo que alí foi relatado.
Tenho gosto pela escrita pois me encanta a genialidade das mensagens passadas pelas entrelinhas.
Penso que escrever é exercitar a paciência. Juntar umas palavras às outras nunca me ocorre com fluidez, é costura lentíssima, onde urgências e minha ansiedade não cabem.
Ultrapassar a barreira de um estéril papel em branco não é pra qualquer um e, assim, percebo que escrevo porque sou forte.
Eu escrevo para trasgredir e chocar. Eu escrevo, num gesto de generosidade, pra doar fragmentos de mim a quem estiver a fim de me ler. Eu escrevo pois, até agora, é a forma mais intensa que encontrei de ser genuinamente eu.
Eu escrevo porque gosto de poesia. Não precisa ser poesia clássica, com aquela necessidade engessada de conter verso, ritmo, rima e estrofe. Tenho preferência pela poesia e o encatamento dos dias.
Eu escrevo porque não gosto de meias palavras.

A Bailarina Tropical


segunda-feira, agosto 13, 2007

Fantasia

Deitei no gramado e olhei para cima. O céu vestia seu azul mais intenso. O sol lhe fazia companhia, aquecendo minhas bochechas com brandura, num gesto terno e acolhedor.
Avistei logo a frente um varal repleto de roupas brancas, cheirando a lavanda. Recordei-me que era domingo.
Levantei-me, aproximei-me dele e ví um outro varal. Este tinha inha roupas coloridas, reunindo os tons mais alegres que existem.
Escolhí um vestido rodado em matizes de laranja, lembrando o pôr-do-sol e amarrei um laço de fita nos cabelos. Sentia-me bonita e confortável.
Juntei-me ao grupo de crianças reunidas alí ao redor. Logo notei que elas não falavam minha língua. Tampouco importava.
Brincamos de ciranda, corremos uns atrás dos outros, demos cambalhotas. Até que, cansados de tanta agitação e gargalhadas, caímos pela grama, nos abraçando e nos beijando, carinhosamente.
Meus novos amigos seguiram caminho comigo, passando por um imenso jardim. De azaléias, girassóis, tulipas, margaridas, rosas, lírios, hortências e gerberas.
Atravessamos a rua e entramos na loja de doces, de uma simpática senhora, que distribuiu saquinhos a cada um de nós e convidou a nos servirmos à vontade. Balas, pirulitos e chicletes, que assumiam formas e cores diversas. Bengalas, sorrisos, frutas mil, minhocas, ursos e chupetas.
Adradecemos a gentil senhora e prosseguimos, ligeiramente empanturrados e não menos contentes.
Na mesma rua da loja de doces, havia uma praça e nela, acontecia uma festa, com muitas pessoas reunidas, cantores se apresentando, equilibristas e malabaristas fazendo performances. Tinham também maçãs do amor e algodão doce por todos os lados.
Fomos dançar, cada um assumiu um par e dançou como quis. A possibilidade do ridículo não nos constrangia.
Ao sairmos da festa, fomos interceptados por um mágico. Ele tirou um coelho da cartola e uma rosa da manga, oferencendo o coelho às crianças e a rosa à mim. Agradecí, envaidecida, com um sorriso.
Andamos poucos metros e uma trilha surgiu. Entramos nela, fomos em frente, até que encontramos uma tranquila lagoa de águas cristalinas. Não titubeamos em mergulhar.
Pulamos, mergulhamos, nadamos. Depois, esperamos nossas roupas secarem ao sol enquanto nos bronzeávamos.
Pegamos o caminho de volta com as bicicletas que encontramos próximas à lagoa. Na praça, ainda acontecia a festa da qual partcipamos mais cedo. Não resistimos, paramos e dançamos mais. E mais.
Continuamos nosso percurso de volta, quando fomos interrompidos por uma forte chuva. A sensação daquelas gotas escorrendo com força por nossos rostos e corpos era como uma benção, porém, não havia condições de seguirmos.
Já era noite e, juntos, tivemos a idéia de pedirmos para pernoitadar na loja de doces da senha que tinha nos atendido pela manhã.
Ela nos ofereceu um quanto que ficava em cima de sua pequena fábrica de doces. Dormimos cansados, leves, felizes e inebriados pelo cheio de açúcar que tomava conta daquele ambiente.

terça-feira, agosto 07, 2007

Existem beijos amargos. Felizmente, são raros.


***Eu não recomendo...

quarta-feira, agosto 01, 2007

"O mal verdadeiro, o único mal, são as convenções e as ficções sociais, que se sobrepõem às realidades naturais"

Fernando Pessoa