Passárgada Square

segunda-feira, agosto 13, 2007

Fantasia

Deitei no gramado e olhei para cima. O céu vestia seu azul mais intenso. O sol lhe fazia companhia, aquecendo minhas bochechas com brandura, num gesto terno e acolhedor.
Avistei logo a frente um varal repleto de roupas brancas, cheirando a lavanda. Recordei-me que era domingo.
Levantei-me, aproximei-me dele e ví um outro varal. Este tinha inha roupas coloridas, reunindo os tons mais alegres que existem.
Escolhí um vestido rodado em matizes de laranja, lembrando o pôr-do-sol e amarrei um laço de fita nos cabelos. Sentia-me bonita e confortável.
Juntei-me ao grupo de crianças reunidas alí ao redor. Logo notei que elas não falavam minha língua. Tampouco importava.
Brincamos de ciranda, corremos uns atrás dos outros, demos cambalhotas. Até que, cansados de tanta agitação e gargalhadas, caímos pela grama, nos abraçando e nos beijando, carinhosamente.
Meus novos amigos seguiram caminho comigo, passando por um imenso jardim. De azaléias, girassóis, tulipas, margaridas, rosas, lírios, hortências e gerberas.
Atravessamos a rua e entramos na loja de doces, de uma simpática senhora, que distribuiu saquinhos a cada um de nós e convidou a nos servirmos à vontade. Balas, pirulitos e chicletes, que assumiam formas e cores diversas. Bengalas, sorrisos, frutas mil, minhocas, ursos e chupetas.
Adradecemos a gentil senhora e prosseguimos, ligeiramente empanturrados e não menos contentes.
Na mesma rua da loja de doces, havia uma praça e nela, acontecia uma festa, com muitas pessoas reunidas, cantores se apresentando, equilibristas e malabaristas fazendo performances. Tinham também maçãs do amor e algodão doce por todos os lados.
Fomos dançar, cada um assumiu um par e dançou como quis. A possibilidade do ridículo não nos constrangia.
Ao sairmos da festa, fomos interceptados por um mágico. Ele tirou um coelho da cartola e uma rosa da manga, oferencendo o coelho às crianças e a rosa à mim. Agradecí, envaidecida, com um sorriso.
Andamos poucos metros e uma trilha surgiu. Entramos nela, fomos em frente, até que encontramos uma tranquila lagoa de águas cristalinas. Não titubeamos em mergulhar.
Pulamos, mergulhamos, nadamos. Depois, esperamos nossas roupas secarem ao sol enquanto nos bronzeávamos.
Pegamos o caminho de volta com as bicicletas que encontramos próximas à lagoa. Na praça, ainda acontecia a festa da qual partcipamos mais cedo. Não resistimos, paramos e dançamos mais. E mais.
Continuamos nosso percurso de volta, quando fomos interrompidos por uma forte chuva. A sensação daquelas gotas escorrendo com força por nossos rostos e corpos era como uma benção, porém, não havia condições de seguirmos.
Já era noite e, juntos, tivemos a idéia de pedirmos para pernoitadar na loja de doces da senha que tinha nos atendido pela manhã.
Ela nos ofereceu um quanto que ficava em cima de sua pequena fábrica de doces. Dormimos cansados, leves, felizes e inebriados pelo cheio de açúcar que tomava conta daquele ambiente.