Passárgada Square
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Pro lado de cá
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Carnaval

Hoje eu sou Colombina e você Pierrô. Eu sou porta-bandeira e você mestre-sala. Hoje entro no seu salão colorido, arremessanado serpentinas ao alto, como estrelas-cadentes a riscar o céu. Jogo confete em mim, pra crer que é chuva escorrendo sobre o meu corpo.
Sorrio pra você, com o rosto carregado de maquiagem cintilante e também flerto com o anjo de asa quebrada. Chego mascarada e depois coloco-me nua, só pra exibir meu avesso e minha falsa beleza.
Você me levanta, me rodopia, me tira do chão e me leva pra correr atrás do bloco, na rua de pedras. Vejo fantasias e loucura insaciada. Quero ouvir a bateria para poder requebrar.
Você esfrega seu corpo no meu e no de tantas outras mulheres. Eu rebolo e lanço olhares carregados de malícia. Quero que a ilusão se sobreponha à realidade, assim, os beijos ardentes e ocos ganham mais sentido.
Depois seguimos para o sambódromo, onde seios e bíceps e coxas e nádegas e braços e pernas estão ávidos por narcísico reconhecimento. Ouço o samba-enredo narrar retalhos da nossa história, representada em carros alegóricos imponentes. Mas preferimos crer na magia do próximo desfile.
Ainda dá tempo de retocar a maquiagem, tirar o salto que incomoda, voltar ao salão e aproveitar os últimos instantes do baile. Ainda existem alguns resquícios de hoje. E hoje podemos ser quem a gente quiser. Eu só não posso ser eu, nem você ser você. Nosso único compromisso é com a diversão.
Amanhã, quando for quarta-feira de cinzas e cessar o burburinho, quando as luzes esmaecerem e o gari estiver varrendo a sensualidade despejada nas ruas; eu passo pra recolher todas as tristezas fantasiadas de alegria e todas as lágrimas contidas nos risos.
sábado, fevereiro 10, 2007

Dia desses eu li em alguma dessas revistinhas de fofoca a Marília Gabriela dizendo que é uma pessoa coerente, quando gosta de alguém gosta pra sempre.
Eu concordo. Quando se gosta de verdade, gosta-se pela vida toda. E o gostar a que me refiro é gostar muito, ou é amar. Não me refiro à paixõezinhas de verão, de uma viagem. Não me refiro à lances puramente físicos, à atração pelo charmosão do departamento ao lado.
Creio em amor eterno, com uma ressalva: a de que os gostares se transformam. Uma vez que você teve sentimentos bons por alguém, eles permanecerão bons, a essência deles é boa. Só viram maus em casos extremos.
A diferença é que elementos externos como o tempo, as cirscusntancias, os novos caminhos e a distancia mudam algumas nuances desse gostar. São as sutilezas da vida. Ainda bem!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Do Nunca ao Pra Sempre

Quem é nunca levou pé na bunda? E motivo pra levar pé na bunda é o que não falta. Ele não te ama mais, ou pior, nunca te amou verdadeiramente, ele olhou pro lado e achou a outra dona mais bacana do que você. Ou ele está a fim de ter liberdade - essa lidera o ranking de desculpas masculinas para acabar com qualquer tipo de relacionamento.
Então, logo após ser dispensada, bate o desespero e você tem a certeza absoluta de que não vai conseguir viver sem ele. Porém, depois de passar um período de tempo bastante desanimada, deprê e choramingando pelos cantos, você melhora só um pouquinho e exclui a possibilidade de morrer pelo outro.
Aliás, ninguém conhece uma pessoa sequer que tenha morrido de amor. Todo mundo já vivenciou e conhece histórias tristes, trágicas, melodramáticas e regadas a muita dor e sofrimento, mas episódios de morte por amor não existem no universo de seres humanos com consideráveis índices de sanidade mental.
Aí, você que excluiu a possibilidade de perecer pelo mais (discutivelmente) nobre dos sentimentos, se exclui da possibilidade de habitar o seleto hall dos seres humanos capazes de terem momentos de felicidade. E junto também vem a exclusão da mais remota possibilidade de amar-mais-uma-vez. Alternando pensamentos de que ele não presta com idéias de que apesar dele ter sido um canalha-filho-da puta, nenhum outro homem reunirá todas aquelas qualidades que tanto te encantavam nele. E realmente não vai achar, porque como ele, só ele mesmo.
Também faz parte do pacote dor-de-cotovelo a frustração, e considero que de todas as espécies de frustrações inerentes ao término de um relacionamento, a frustração de que os planos em comum NUNCA mais poderão ser concretizados é a mais dolorida. Dá até vontade de ligar pro fulano e falar “Vamos fazer aquele cruzeiro pelo Mediterrâneo que a gente tanto combinou, depois a gente acaba de verdade e vai cada um para o seu lado.”, “Vamos comprar e mobiliar um apartamento, nem que seja para no dia seguinte à conclusão da decoração a gente vender o AP e dividir a grana arrecadada.” ou até uma bobagem como “Me leva naquele café charmoso, de decoração provençal, cheio de quitutes deliciosos, perto do seu trabalho, que você sempre prometeu e nunca me levou, e depois não me procure mais.”
Até que chega um dia – e esse um dia pode vir em duas semanas, 3 meses, um ano, não tem data certa - que você conhece um cara novo. Sem expectativas, aceita o primeiro convite dele pra jantar. Foi bacaninha e você aceita o segundo. Quando dá por conta, no dia seguinte ao terceiro encontro se flagra repetindo mentalmente frases ditas por ele, lembrando o jeito como ele te olhava. Enfim, nuances do encontro perfeito preenchem sua memória e decoram o seu rosto com um sorriso bobo.
Você gruda no telefone esperando o próximo “alô” dele, vibra a cada vez que vê o nome do sujeito na caixa de entrada de seus e-mails, começa a ouvir músicas que ele comenta e acha o gosto musical dele magnífico, assim como cada pequena coisa que ele faz.
Pois é...sabe aquele amor que um certo dia vc considerou indigno da sua pessoa? Ele chegou! E com ele sempre vem a certeza que desta vez vai dar certo, que desta vez é pra sempre. Ainda bem que quando amamos, esquecemos “que o pra sempre, sempre acaba.”



